Um dos marcos inaugurais da moderna literatura brasileira: Caetés é o romance de estreia de Graciliano Ramos, publicado originalmente em 1933.
Ambientado em Palmeira dos Índios, no interior de Alagoas, a obra acompanha João Valério, guarda-livros de uma firma comercial que se vê consumido pela paixão por Luísa, esposa de seu patrão, Adrião Teixeira. Em paralelo ao drama íntimo e moral do protagonista, desenrola-se outra narrativa: sua tentativa de escrever um romance sobre os indígenas caetés e o célebre episódio envolvendo o bispo Sardinha, no século XVI. Entre desejos reprimidos, ambições frustradas e observações mordazes da vida provinciana, o autor constrói um retrato agudo das contradições humanas e sociais brasileiras.
Já em seu primeiro livro, Graciliano revela a prosa rigorosa e precisa que marcaria seu trabalho. Em Caetés, a linguagem econômica ganha inesperada força poética ao iluminar silêncios, ressentimentos e desejos que atravessam personagens aparentemente comuns.
Esta edição publicada pela Global Editora traz como material extra exclusivo posfácio assinado pelo editor Gustavo Henrique Tuna, ganha ainda projeto gráfico renovado e capa composta por xilogravura de Pablo Borges. Pablo é filho de J. Borges, mestre xilogravurista que criou as artes que estamparam as edições de Vidas secas, S. Bernardo e Angústia publicadas pela editora, garantindo tanto unidade como consolidando a força artística popular das obras.
Caetés é um romance em que ironia, crítica social e introspecção se entrelaçam para revelar, sob a superfície da rotina, a permanência de impulsos selvagens, medos e desejos que continuam ecoando no presente.
Sobre o autor(a)
Ramos, Graciliano
Graciliano Ramos foi um renomado escritor brasileiro nascido em 1892, em Quebrangulo, Alagoas. Ele iniciou sua carreira como funcionário público, mas logo se dedicou integralmente à literatura. Suas obras, como "Vidas Secas", "Angústia" e "São Bernardo", são marcadas por um estilo conciso e realista, explorando temas como a pobreza, a injustiça social e as condições do Nordeste brasileiro. Preso durante o Estado Novo, seu livro "Memórias do Cárcere" reflete essa experiência. Graciliano faleceu em 1953, deixando um legado duradouro na literatura brasileira. |