Em Heresia, Betty Milan aborda o tema da morte assistida e questiona até que ponto é legítimo o prolongamento da vida pela ciência e de uma existência orgânica na qual a memória e a própria subjetividade já se extinguiram. Betty Milan é autora de inúmeras e importantes obras, incluindo romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Heresia, romance autobiográfico, trata da morte da mãe, com Alzheimer, e do prolongamento de sua vida em decorrência da proibição cultural, e legal, de buscar a morte assistida.No início do romance, a protagonista diz: “Vou atribuir o que eu escrevo a outra narradora”, num movimento de afastamento do vivido para melhor contemplá-lo e, assim, reatar a ficção ao impulso de conhecimento irrompido pela imaginação.”Manuel da Costa Pinto, na orelha do livro, escreve: “Essa tensão entre o real e o ficcional se torna ainda mais aguda quando aquilo que é representado toca o nervo exposto de dilemas éticos e emocionais – como neste romance de Betty Milan, cuja personagem lida com sentimentos ambíguos ante a decrepitude da mãe centenária. A heresia do título, portanto, se refere a uma questão essencialmente contemporânea: até que ponto é legítimo o prolongamento da vida pela ciência, a perpetuação de uma existência orgânica na qual a memória e a própria subjetividade se extinguem? O romance traz uma dimensão ensaística e metaliterária que sempre esteve presente na obra de Betty Milan, mas que se intensificou desde Consolação. E se A mãe eterna tratou do tema da perda em chave autoficcional, Heresia o potencializa com uma narrativa dentro da narrativa, na forma de um caderno no qual a protagonista elabora sua cerimônia de adeus e descreve (ou imagina) as histórias vividas pela mãe antes do exílio no ‘palácio imaginário’ da amortalidade.” “Um livro corajoso, oportuno e surpreendente pela composição.” - Roberto Schwarz Betty Milan é paulista, autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Além de publicadas no Brasil, suas obras também circulam com selos de França, Argentina e China. Colaborou nos principais jornais brasileiros e foi colunista da Folha de S.Paulo, da Veja e da Veja ponto com.Trabalhou para o Parlamento Internacional dos Escritores, sediado em Estrasburgo, na França. Foi convidada de honra do Salão do Livro de Paris em 1998 e em 2015. Em 2014, representou a literatura brasileira contemporânea na Feira Internacional do Livro de Miami (EUA). Em 2021, foi eleita para a Academia Paulista de Letras.Antes de se tornar escritora, formou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo, especializou-se em Psicanálise na França com Jacques Lacan e fundou o Colégio Freudiano do Rio de Janeiro.
Sobre o autor(a)
Milan, Betty
BETTY MILAN nasceu em São Paulo. Escritora e psicanalista, é autora de vasta obra, entre romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Antes de se dedicar à escrita, formou-se em medicina pela USP e especializou-se em psicana´lise na Franc¸a, orientada por Jacques Lacan, de quem foi assistente no Departamento de Psicana´lise da Universidade de Paris VIII. |