Livro finalista do Man Booker Prizer 2013 NoViolet Bulawayo nasceu em 1981, no Zimbábue, e fez parte da primeira geração nascida depois da independência oficial do país. Sua infância se passou, portanto, sob um clima de confiança, estabilidade e esperança. Muito diferente do cenário em que vivem Darling, Bastard, Chipo, Godknows, Sbho e Stina, as crianças com nomes peculiares que figuram em Precisamos de novos nomes, seu romance de estreia. Essas crianças a cada dia tentam fugir de Paraíso, o aglomerado de barracos de zinco onde elas e suas famílias vivem desde que suas antigas casas foram demolidas violentamente a mando do governo. As fugas são para perto, para Budapeste, o bairro vizinho onde roubam as goiabas do quintal das casas das famílias brancas e ricas, ou ainda com as brincadeiras que criam para se distrair do cotidiano entediante sem escola nem comida: fingem procurar Bin Laden para ganhar a recompensa do governo americano; criam um jogo em que os países mais poderosos invadem os países menores. As fugas acontecem também quando sentem um misto de vergonha e empolgação ao se aglomerarem ao redor dos carros das ongs que lhes trazem presentes e roupas inadequadas. Mas é a vida de Darling, a protagonista-narradora, que o romance acompanha. A menina de dez anos que conhecemos em suas brincadeiras no Paraíso, sonha com o dia em que morará na América. Esse dia finalmente chega e Darling terá de enfrentar o frio, a saudade de sua família e de seus amigos e a adaptação nesse país que nunca vai se tornar o seu país de fato, mas que mudará seu sotaque, moldará o olhar do mundo e a afastará, irremediavelmente, de sua terra natal. Precisamos de novos nomes é um romance de formação, cuja protagonista ao mesmo tempo precisa enfrentar as novidades da adolescência e da vida adulta que chega e se adaptar a uma terra onde sempre será estrangeira. Os assassinatos políticos, o estupro, o charlatanismo de alguns religiosos, a aids, a fome, enfim, tudo aquilo que a imprensa ocidental reafirma a respeito dos países africanos estão neste livro, mas muito distintamente contada por uma voz ao mesmo tempo cruel e inocente, a voz de uma criança sensível, esperta e sonhadora.
Sobre os autores(as)
Lisboa, Adriana
ADRIANA LISBOA nasceu no Rio de Janeiro em 1970. Publicou, entre outros, os romances Sinfonia em branco (Prêmio José Saramago), Azul corvo (um dos livros do ano do jornal inglês The Independent); os contos de O sucesso; livros de poesia como Pequena música (menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas); e o ensaio Todo o tempo que existe. É autora de obras infantojuvenis, como Língua de trapos (Prêmio de Autor Revelação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e O coração às vezes para de bater (selo Cátedra 10 da Unesco). Seus livros foram traduzidos em mais de vinte países. |
Bulawayo, Noviolet
NoViolet Bulawayo nasceu em 1981 em Tsholotsho, Zimbábue. Por "Precisamos denovos nomes", seu romance de estreia, recebeu os prêmios Art Seidenbaum do Los Angeles Times, o Hemingway/PEN Award e foi finalista Man Booker Prize em 2013. NoViolet mora atualmente nos Estados Unidos. |